Respondo pelo nome Luís da costa. Partilho este apelido com o meu pai, Gregório (falecido). A minha mãe se chama um pouco diferente, Albertina Mendes. Esta é doméstica, mas aquele é lavrador, embora tenha adquirido a segunda profissão (pintor) quando emigrou para França nos anos oitenta. O meu pai, que também é analfabeto como a minha mãe, quando se emigrou para França, enfrentou muitas dificuldades por falta da escola. Dali, deu as instruções à minha mãe para me pôr na escola.
A informação de eu ir para escola não foi bem recebida pela minha, porque nessa altura, eu já começava a rendê-la nos trabalhos de campo. Além de saber lavrar na altura, também já sabia subir e cortava chabeu. A pressão foi tanta de tal forma que a minha mãe ficou sem jeito. Teve de me pôr na escola e pôs mesmo.
Assim, no ano letivo 1983/1984, entrei, pela primeira vez, na escola Pansau Na Isna, em Catió, região de Tombali, Sul do país. Ainda me lembro, com grande tristeza, desse dia, onde eu não percebia nada do crioulo quanto menos do português. Era no tempo de O Pato Nada. Eu tinha que memorizar ou cantar o texto sem no entanto perceber nada do texto. Lembro ainda de ter decorado o abecedário sem conhecer as letras, enfim, éramos obrigados a decorar tudo. Foi um sistema muito amaçador.
Quatro anos depois, em 1987, fiz a quarta classe na escola Canhe Na Tunguê, em Catió. Esse ano coincidiu com o tempo que o meu pai veio às férias na Guiné. Durante a sua estada no país, fez uma casa em Tame, sector de Canchungo, região de Cacheu, Norte do país, a 88 km da capital Bissau, e transferi a partir desse ano para o Norte, continuando os meus estudos no sector atrás referido. Estudei ali até o 9º ano de escolaridade, e como não havia o 10º ano na altura, tive que vir para Bissau, capital do país.
Ao sair de Canchungo, eu tinha um orgulho: voltar para Canchungo a fim de dar aulas depois do 11º ano. Porém, depois do sétimo (11º ano de escolaridade), em 1995, mudei de ideia e vislumbrei novo horizonte - ir para uma escola de formação.
De 1995 a 1998, obtive Bacherlato em Biologia e Química, onde fui colocado e trabalhei durante alguns anos como professor de Química no Liceu Nacional Kwame N´krumah, em Bissau. Durante os meus estudos na Escola Normal Superior “Tchico Té”, eu dava aulas, em simultâneo, numa escola privada denominada CEFAS, lecionando a 3ª e a 4ª classe na mesma turma.
Nos anos do meu exercício profissional no Liceu Nacional Kwame N´kruma, fiquei tirando em simultâneo o curso de Língua Portuguesa na Escola Normal Superior “Tchico Té”, isto é, de 2001 a 2006. Depois do curso, fui contatado pela mesma instituição para docência.
Em 2008, integrei no corpo docente do Centro Cultural Brasil Guiné-Bissau, dando aulas de Língua Portuguesa e de Cultura Brasileira. Corpo docente muito lutador e bastante inovador no processo de ensino-aprendizagem.
Então, já sabem com quem está falando? Acho que sim. Luís da Costa. Poderão pensar que é um Luís de 40 ou 50 anos, têm razão. Mas tenho certeza absoluta que não sou dessa idade, contudo rondo nos trinta e picos. Falo assim, porque não sei bem, bem da data do meu nascimento, razão pela qual muitas vezes não comemoro a data de nascimento dos meus documentos que é 10 de Maio de 1976. Entristeço-me quando me lembro que não conheço a data exata do meu nascimento. Mas também contento-me quando me recordo que nasci num dia desse, um mês desse e um ano desse como todos os outros que tiveram a sua data bem estratificada.